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De volta à TV, Patrícia França comemora papel em ‘Malhação’

Edição e postagem: Leomar Duarte, em 20-10-2014 15:54 | Última modificação: 20-10-2014 15:54
De volta à TV, Patrícia França comemora papel em ‘Malhação’

Hospital de Olhos

Patrícia França é categórica ao avaliar sua trajetória profissional. De forma serena e madura, a atriz afirma que nunca se incomodou por ter personagens densos e dramáticos dominando seu currículo.

Em Malhação, em que interpreta a dona de casa Delma, não é diferente. “Conquistei um espaço nesse nicho. O drama é mesmo a minha ‘pegada’ e é onde as pessoas me reconhecem mais”, assume.

No folhetim infantojuvenil, a personagem de Patrícia vai sofrer uma reviravolta após descobrir a traição de seu marido, Marcelo, com a professora de nado sincronizado Roberta, interpretados por Felipe Camargo e Danielle Suzuki. “Tenho muita sorte. Sou a atriz dos grandes e bons personagens”, afirma, sem modéstia.

Passear por outros gêneros, segundo ela, é sempre muito prazeroso. No entanto, é complicado fugir de estereótipos. “Gosto de fazer humor e gostaria de fazer mais. Mas esse foi um caminho que escolhi. Meio sem querer, mas escolhi”, reflete.

De volta à Globo após dez anos, Patrícia foi convidada a retornar à emissora pelo diretor geral da atração, Luiz Henrique Rios. Após uma passagem de oito anos pela Record, a atriz estava longe dos folhetins desde 2009, quando atuou em Poder Paralelo.

O recesso de cinco anos não foi apenas para cuidar da família, embora houvesse uma preocupação em estar mais presente na vida dos filhos. “Foi uma opção minha. Nenhuma das propostas que me ofereceram me tocou. Então, preferi não fazer”, garante.

Sem bons personagens, Patrícia esperou o contrato com a Record terminar para procurar novos projetos. Foi aí que surgiu a oportunidade para estar em Malhação. “É engraçado que havia uma cobrança para voltar para a Globo. É como se as pessoas me reconhecessem aqui”, opina.

Mesmo assim, Patrícia faz questão de destacar tramas bem-sucedidas que participou na Record, como Escrava Isaura e Prova de Amor, mas lamenta que a visibilidade não seja exatamente a mesma nas duas emissoras. “Não é uma crítica, é uma constatação. As pessoas têm o hábito de ligar a TV e colocar na Globo”, pontua.

O retorno, segundo ela, é muito bem-vindo. Embora admita que possa haver um certo preconceito de atores mais maduros em relação ao folhetim infantojuvenil, Patrícia garante que a experiência é uma mistura de sensações. “É um produto que está no ar há 19 anos e a sobrevida da TV é a audiência. Então, se há algum problema em trabalhar aqui, eu desconheço”, afirma.

Além de um ritmo de gravações mais leve do que em outras novelas da emissora, para ela, se relacionar diariamente com jovens dá um novo frescor à sua carreira. “É uma troca fantástica. Os jovens têm muita energia. Eles não têm maldade, não ficam se censurando como os adultos. É um ambiente muito leve”, comemora.

Sem contrato fixo com a Globo, Patrícia está com todas as energias focadas no folhetim. Desde o início das conversas sobre Delma, sua personagem, ela buscou focar no universo de uma mãe completamente dedicada aos filhos. “Foi complicado porque sou bem diferente. Preciso estar produzindo no trabalho para estar feliz em casa”, compara.

Por isso, ela participou de workshops de preparação corporal com todo o elenco da trama, ainda que não faça parte dos núcleos de dança, canto ou luta.

Apesar de não saber os próximos passos que vai percorrer na carreira, Patrícia garante ter bastante calma para planejar o futuro. “Estou feliz aqui, com meu personagem. Recebi convite para o teatro, mas acho muito complicado conciliar estando no ar. Então, por enquanto, vou remar conforme a maré”, diz, com tranquilidade.

Túnel do tempo
Natural de Recife, em Pernambuco, Patrícia estreou na TV, aos 21 anos, em Tereza Batista, em 1992, na Globo. Aparecer pela primeira vez na TV como protagonista não foi um problema para ela. “Já vinha de muito tempo no teatro. Estava muito tranquila, preocupada apenas em fazer um trabalho bem feito”, relembra.

Atualmente com 43 anos, ela relembra com certa estranheza as cenas de nudez que protagonizou no especial de fim de ano. “Na época, era o fim para mim. Hoje, vejo com mais leveza. É constrangedor, mas faz parte do meu trabalho”, pontua.

Logo na sequência, em 1993, participou da primeira fase de Renascer. Embora tenha interpretado a protagonista Maria Santa apenas nos quatro capítulos iniciais, o sucesso de sua personagem reverbera até hoje. “É uma das melhores lembranças da minha carreira”, vibra.

A trama de Benedito Ruy Barbosa, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, foi um dos maiores sucessos da década de 1990. “Era como fazer cinema e teatro ao mesmo tempo e dentro da TV. Foi uma experiência fantástica e falo isso sem medo nenhum de parecer puxa-saco”, revela, bem-humorada.

No Recife, Patrícia França começou a estudar interpretação aos nove anos. No entanto, aos 13, entrou em um curso de teatro profissional.

O convite para estrear na TV, em Tereza Batista, foi feito pelo diretor Paulo Afonso Grissoli, após ver a atriz em uma peça de teatro, ainda no Recife.

Vaidosa, ela garante que prefere não se ver no vídeo. “Em relação à atuação, até gosto. Mas o físico pega. Sempre acho que estava horrorosa”, afirma.

Fonte:Terra