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Rebaixamento do Fluminense e do Vasco

Edição e postagem: Denison Duarte, em 08-12-2013 20:42 | Última modificação: 08-12-2013 20:47
Rebaixamento do Fluminense e do Vasco

Hospital de Olhos

1) Falta de reformulação do elenco

A velha máxima de que bons resultados escondem as falhas de um time deu o tom do início de 2013 do Fluminense. Confiante na força do grupo tetracampeão, que tinha sua espinha dorsal atuando junta desde 2011, a diretoria trouxe apenas atletas para completar o banco de reservas: os laterais Wellington Silva e Monzón, o meia Felipe e o atacante Rhayner. Principal alvo das crîticas da torcida, a zaga não foi reforçada e as muitas formações testadas por Abel braga durante o Carioca comprovaram as dificuldades do treinador em encontrar um setor defensivo sólido. Tal situação também mostrou-se na irregular campanha do time na fase de grupos da Libertadores, garantindo sua classificação para o mata-mata somente na última rodada.

2) Lesões de jogadores importantes

Fred e Carlinhos foram apenas a ponta do iceberg do Fluminense em termos de lesão em 2013. A dupla sofreu graves problemas e perdeu boa parte de uma temporada em que sobrou trabalho para o departamento médico tricolor. As dificuldades começaram antes mesmo da bola rolar. Thiago Neves, Gum e Deco lesionaram-se ainda na pré-temporada da equipe e perderam os primeiros jogos do Tricolor no ano. Os dois últimos, aliás, estrearam somente em meados de fevereiro. Na sequência do ano, muitos outros atletas tiveram problemas sérios. Recém-contratado, Wellington Silva foi um dos que mais padeceram, tendo que lidar com três contusões sérias, que reduziram sua ação no ano a apenas 11 jogos. Do time-base tricolor, somente Diego Cavalieri, Edinho e Rafael Sóbis não passaram pelas mãos do corpo médico do Fluminense.

3) Perdas mal repostas

A necessidade de dar um alívio ao caixa do clube obrigou o Fluminense a desfazer-se de alguns atletas cruciais para o elenco na janela de transferências do meio do ano. Disposto a negociar qualquer nome, conforme o diretor de futebol Rodrigo Caetano enfatizou seguidas vezes, o Fluminense viu especulações apontarem para a saída de boa parte dos medalhões da equipe, mas, no final das contas, Wellington Nem e Thiago Neves foram os liberados, quebrando o esquema de jogo do time campeão em 2012, que tinha na dupla suas válvulas de escape pelo lado do campo. Para compensar suas saídas e também de Deco, aposentado em agosto, o Tricolor também ficou incapaticado de atuar no mercado. Com o valor da
negociação de Nem bloqueado pela Justiça, o Flu trouxe somente o atacante Marcelinho, outro com rendimento diminuído por lesão, e, no mais, apostou que a base daria conta do recado no segundo semestre, lançando nomes como Rafinha, Igor Julião, Willian e Biro Biro no time constantemente.

4) Indefinição na saída de Luxemburgo

Como todo time que vai mal na temporada, o Fluminense promoveu mudanças no comando técnico da equipe. No clube desde 2011, Abel Braga caiu após sequência de cinco derrotas em julho. Para seu lugar, veio Vanderlei Luxemburgo e o problema principal no quesito treinadores. Mal nos resultados, a despeito dos oito jogos de invencibilidade entre setembro e outubro que fizeram o torcedor sonhar com vaga na Libertadores, Luxa teve sua demissão anunciada depois de derrota por 3 a 2 para o Vitória, no Maracanã. Porém, desentendimentos entre Peter Siemsen, Rodrigo Caetano e Celso Barros fizeram o técnico ganhar sobrevida. Com mais duas derrotas, o treinador foi de fato demitido, deixando Dorival Júnior com apenas cinco jogos para tentar livrar a equipe do rebaixamento.

5) Quedas de rendimento

Se as lesões perseguiram o Fluminense em 2013, a queda de rendimento de alguns jogadores também teve papel preponderante na queda. Fora Rafael Sóbis, melhor jogador do time na temporada com sobras, boa parte do elenco tricolor baixou seu rendimento em comparação com o último ano. Autor de inúmeros milagres que garantiram muitos pontos ao clube durante a campanha do tetra, Diego Cavalieri não conseguiu manter o nível de suas atuações e chegou a viver momento de baixa quando acumulou falhas em sequências no retorno da Copa das Confederações. Outro que caiu muito foi Jean. Motorzinho do time na temporada passada, o camisa 7 ficou muito aquém neste ano, chegando inclusive a ser testado por Luxemburgo numa nova função, mais adiantado, no final de agosto. Além deles, atletas como Wagner, que chegou a destacar-se em 2013, mas perdeu fôlego na reta final, e Fred, com média de 0,3 gol por jogo no curto período em que esteve em campo, também figuram na lista.

6) Crise financeira e desmanche da equipe em 2012

Vindo de uma temporada vitoriosa com o título da Copa do Brasil e o vice campeonato brasileiro, em 2011, o Vasco fez uma boa campanha na Libertadores da América no ano seguinte, deixando a competição nas quartas de final. O segundo semestre, no entanto, terminou com a saída de seus principais jogadores e consequentemente a perda da vaga para a Libertadores na América.

Lutando contra uma grave crise financeira, o clube não conseguiu segurar o elenco. Além de Diego Souza, Fagner e Allan, negociados com outros clubes, o Vasco perdeu ainda Nilton e Fernando Prass. Nem mesmo o ídolo Juninho Pernambucano permanceceu. Por fim, o zagueiro Dedé foi negociado com o Cruzeiro já este ano.

7) Trocas no comando e reforços abaixo da expectativa

Sem dinheiro em caixa para repor o elenco com reforços a altura, o Vasco acabou recorrendo a contratações por empréstimo e apostas em jogadores até então desconhecidos no cenário nacional. No comando técnico, uma solução da casa: Gaúcho foi mantido no cargo para o Campeonato Carioca.

Após ser derrotado na decisão da Taça Guanabara para o Botafogo, o Vasco perdeu o rumo e emplacou uma sequência de derrotas na Taça Rio, que culminou na demissão do técnico Gaúcho. Apesar da situação financeira delicada, o clube trouxe Paulo Autuori sob a promessa de que iria regularizar os salários atrasados dentro do prazo determinado.

Após os jogos iniciais do Brasileirão, Autuori trabalhou durante toda a paralização da Copa das Confederações, mas não conseguiu colher os frutos desse trabalho. Além dos resultados ruins dentro do gramado, a diretoria não conseguiu dar uma tranquilidade financeira para o grupo e, por isso, Autuori pediu demissão do cargo.

Para dar sequência ao trabalho, Dorival Júnior foi contratado e pouco tempo depois, o clube celebrou o acordo de patrocínio com a Caixa e a Nissan. Junto com os patrocinadores, vieram os reforços e a esperança de que o clube viveria dias mais tranquilos. A volta de Juninho Pernambucano – após um período atuando no futebol dos Estados Unidos – e a chegada do volante argetino Guiñazu e a volta do lateral-direito Fágner davam indícios de que o Vasco evitaria o rebaixamento ‘anunciado’.

Nesse momento, a sorte passou longe de São Januário. Logo na estreia, contra o Botafogo, Guiñazu sofreu uma grave lesão na coxa nos primeiros minutos de jogo e desfalcou o Vasco por quase todo o segundo turno. Para completar, o lateral Fagner acabou decepcionando com atuações abaixo da expectativa.

Com os resultados negativos se acumulando e a equipe marcando presença na zona de rebaixamento, a diretoria do Vasco escolheu trocar o comando mais uma vez. Adilson Batista foi o escolhido para tentar salvar o Cruz-maltino da degola, mas com pouco tempo para tirar a diferença da pontos para os adversários, acabou rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro.

8) Falhas dos goleiros marcam a campanha do Vasco

A falta de um nome de segurança na meta vascaína acabou sendo um fator determinante para a queda do clube à série B. Após a saída de Fernando Prass, o Vasco escolheu manter o goleiro Alessandro como principal nome para 2013. O clube até tentou repatriar o ídolo Hélton, que acabou permanecendo no Porto-POR.

Sem um nome de confiança no gol, o Vasco acabou sofrendo as consequências durante toda a temporada. O preparador de goleiros Carlos Germano chegou a afirmar que o clube não precisava de um novo goleiro. Dentro de campo, porém, Alessandro, Diogo Silva e Michel Alves protagonizaram lances curiosos e falhas marcantes que acabaram custando caro para o Vasco.

9) Perda de mando de campo e mau aproveitamento em São Januário

O fator casa também fez muita falta ao Vasco este ano. O Estádio que é históricamente palco de grandes partidas do time da casa, acabou sendo pouco utilizado e também mal aproveitado. Foram apenas sete partidas na Colina Histórica e somente duas vitórias como mandante – sobre Portuguesa e Criciúma. O clube ainda sofreu uma punição – perdendo quatro mandos de campo – por conta da briga de torcidas no jogo contra o Corinthians, no Estádio Mané Garrincha.