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Arbitragem brasileira corre risco de ficar de fora Copa do Mundo

Edição e postagem: Denison Duarte, em 01-09-2013 18:18 | Última modificação: 01-09-2013 18:18
Hospital de Olhos

A Copa das Confederações deste ano não representou uma vitória completa do futebol brasileiro dentro de campo. Uma parte quase sempre esquecida, mas fundamental do esporte, não teve representantes do Brasil nos gramados das modernas arenas do torneio. E o problema pode se repetir em 2014.

Pela primeira vez na história da Copa das Confederações, o país-sede não contou com um trio de arbitragem local entres os apitadores selecionados pela Fifa para comandar as partidas. Para o chefe de arbitragem da Fifa, Massimo Busacca, isso não representa que os apitadores brasileiros estão em má fase.

“Não ter árbitro e assistentes do país-sede (na Copa das Confederações) não quer dizer falta de confiança na arbitragem brasileira. Como preciso observá-los, preferi enviá-los para competições onde poderão atuar mais de uma vez. Aqui, com apenas 16 jogos, e o Brasil avançando, talvez, eles tivessem, no máximo, um jogo para trabalhar, o que não permitiria uma observação adequada”, afirmou na época da definição.

Mas em conversa exclusiva com Goal, o ex-árbitro Rodrigo Braghetto dá uma outra versão para esta ausência na competição disputada em junho.

“Me surpreendeu. Infelizmente é uma coisa ruim. Não tenho contato de como foi a seleção, mas acredito que a parte política pesou. Os árbitros brasileiros não passaram nos testes físicos, mas eles são quase mortais. Só vão parar com essa exigência exagerada quando morrer um árbitro no teste. Hoje aplicam os testes como se os juízes fossem atleta, com trabalho físico completo. Tem árbitro por aqui que é obrigado a sair do trabalho pra esses testes.”

A questão física foi destacada também entre as dificuldades enfrentadas pelos homens do apito em uma matéria de Goal, na semana passada. Os dois juízes favoritos da entidade máxima do futebol, Wilson Seneme e Leandro Vuaden, foram reprovados em testes realizados no início ano. Desta forma, Sandro Meira Ricci e Heber Roberto Lopes estão sendo mandados para competições Fifa com o objetivo de evitar o fiasco de o Brasil não ter representantes na Copa do Mundo do ano que vem.

“Como houve duas trocas na lista original do Brasil, os brasileiros precisam ganhar um pouco mais de experiência. A escolha final dos árbitros para a Copa do Mundo será em janeiro do ano que vem”, lembra Busacca.

Ao longo da história, o país teve representantes na maioria dos mundias, marcando presença, inclusive em duas finais consecutivas (em 82, com Arnaldo César Coelho, e 86, com Romualdo Arppi Filho). A última vez que deixou de mandar apitadores para o torneio foi em 1958. Nas três últimas edições, Carlos Eugênio Simon marcou presença. Para 2014, 52 oficiais estão pré-selecionados para e sendo observados, com a presença de Ricci e Lopes.

Assim como jogadores de futebol, os juízes tambem sonham em participar de uma Copa. Mas não é apenas o nível técnico ou físico que determina quem serão os escolhidos. A próprio burocracia da Confederação Brasileira de Futebol também atrapalha esse processo.

“Eu acho que a arbitragem daqui uma das melhores do mundo. A exigência é muito grande. Me preparei pra isso (para apitar em uma Copa do Mundo). Mas pelas condições que a CBF estipulou, com plano de carreira, fui vendo que não teria chances pela idade. Fui deixando isso de lado. São critérios meio obscuros. Não sei como são definidos”, dispara Braghetto.

Mesmo assim, o ex-árbitro, que deixou a função após se ver envolvido em uma polêmica na final do Paulistão deste ano, acredita que o país não estará representado somente pelos comandados de Felipão nos gramados dos estádios do torneio de 2014. Rodrigo Braghetto dá até o seu palpite sobre quem será o apitador brasileiro na principal competição de seleções do mundo.

“O Seneme é disparado o melhor do Brasil, só que ele é um ex-atleta, tem lesão no joelho, tá desgastado. Colocam ele num teste físico muito árduo, é desnecessário. Sandro Meira Ricci é hoje o mais preparado. Tanto na parte física, profissional e física. A comissão deve escolher o nome dele”, conclui.