12:17 pm - domingo novembro 19, 2017

Miss Brasil: por vencer candidata do Rio Grande do Sul, piauiense é alvo de ataques racistas

Edição e postagem: Denison Duarte, em 20-08-2017 18:13 | Última modificação: 21-08-2017 10:08
Hospital de Olhos

RACISMO CONTRA MONALYSA ALCÂNTARA – Depois de vencer na noite deste sábado (19) o Miss Brasil, o mais tradicional concurso de beleza feminina do país, a piauiense Monalysa Alcântara, 18, agora irá representar o Brasil no Miss Universo.

Em segundo lugar ficou a modelo e estudante de Gestão Financeira, Juliana Mueller, 25, do Rio Grande do Sul.

A eleição aconteceu no Teatro Vermelhos, em Ilhabela, no litoral de São Paulo. O concurso existe desde 1954, sendo o título entregue em toda a sua história pela terceira vez a uma mulher negra.

Monalysa Alcântara é hoje o centro das atenções na mídia em todo o Brasil. Vários focos estão sendo o motivo dos comentários: a beleza, o comportamento, a sua história de vida, o cabelo e, principalmente, a cor da pele.

A piauiense tem sido alvo de incontáveis elogios em sites de notícias e também nas redes sociais. Mas a diferença entre os dois estados, Piauí e Rio Grande do Sul, trouxe à tona uma enxurrada de comentários contra a piauiense. Para internautas racistas e preconceituosos a cor da pele e o estado de origem da eleita estão no eixo dos discursos de ódio na internet.

O título ser concedido a uma pessoa negra e ao mesmo tempo do Piauí, segundo comentários de intolerância racial, é mais que o suficiente para caracterizar que no concurso foi criada uma “cota para negras”.

Racismo contra Monalysa Alcântara em matéria publicada no G1 nacional e em redes sociais

O internauta CLAUDEMIR BARROS comenta na matéria produzida pelo G1 Nacional. Além de chamar a piauiense de “horrorosa”, diz que a “pele dela parece meio suja”. “Eu prefiro muito mais as loiras ou ruivas de olhos verdes/azuis, isso sim é beleza de verdade”.

DANIEL SCHWARTZ, diz que a piauiense tem “cabelo de bruxa”. “Sistema de cotas em tudo”, completa.

RENATO VASCÃO, afirma que “estão escolhendo o Miss Brasil pela cor da pele e não pela beleza”. Ele acrescenta dizendo que o cabelo da piauiense “parece até uma vassoura”. Em outro comentário ele diz que “estão transformando o Miss Brasil em sistemas de cotas…que vergonha!”, diz ele.

Em caso de crimes praticados na internet via mensagens com conteúdo racista, a lei obriga que elas sejam retiradas do ar imediatamente. A pena é de 2 a 5 anos de prisão e multa, quando o crime é cometido por intermédio de meios de comunicação, incluindo os digitais.

A modelo piauiense Monalysa Alcântara tem 1,77 m, e pesa 57 kg, cintura 69 cm, quadril 95 cm e busto 87 cm. No instante das perguntas e respostas ela afirmou que para representar o país em uma competição internacional não vai mudar de comportamento. “Serei eu mesma: uma mulher nordestina, que passou por diversas coisas, muitas dores que fizeram ser quem eu sou hoje”.

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