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‘Vi meu pai prensado nas ferragens; sofri muito’, diz filho do maquinista morto durante colisão

Edição e postagem: Denison Duarte, em 12-11-2015 11:03 | Última modificação: 12-11-2015 18:47
Hospital de Olhos

Está marcado para as 17h desta quinta-feira (12), o sepultamento do maquinista Gilvan Soares de Brito, 59, morto por volta das 16h30 na colisão do metrô com o trem da Transnordestina ocorrida nesta quarta-feira (11), em Teresina.

Familiares se despedem do amarantino com tristeza e dor. O corpo chegou em Amarante, onde está sendo velado, por volta das 6h10. O primeiro momento da despedida aconteceu das 2h às 4h em Teresina, onde residia.

Gilvan Brito deixa esposa e quatro filhos. Ele está sendo velado pelos irmãos e parentes na residência dos seus pais, Dona Marina e Seu Aristeu, ambos já falecidos. Amigos da família chegam a todo instante ao local prestando as condolências e para dar o último adeus ao maquinista.

O ocorrido tem sido apontado pela Transnordestina como uma falha da Companhia Metropolitana de Transporte Público (CMTP). Em nota enviada ao G1, ela diz que “a CMTP teria descumprido um procedimento operacional e provocado o acidente entre o metrô de Teresina e um trem de carga”.

O governo do Piauí, proprietário da CMTP, também diz em nota que “uma comissão técnica vai averiguar o porquê do trem de serviço ainda estar trabalhando na linha”, isso após dizer na nota que o início das atividades do metrô estava previsto para as 16h, horário de pico. “Quando voltou, o trem de carga estava ocupando a linha férrea”.

Enquanto as empresas buscam um culpado para o acidente, os familiares afirmam que estão desamparados. Consternados, eles esperam um posicionamento da CMTP. “Nós não tivemos nenhum apoio da empresa, a não ser o serviço funerário. Todos nós estamos abalados com esse choque, e, até o momento, não há um acompanhamento psicológico sequer”, afirmou o filho da vítima, Aristeu Araújo, 22.

Ele disse ao Somos Notícia que viu o pai ainda vivo, preso às ferragens. “O meu pai estava lá, prensado nas ferragens e não tenho como expressar o quanto sofri. O pior é saber que ele pediu socorro”, concluiu Aristeu Araújo ao afirmar que Gilvan Brito sofreu perfurações nos pulmões.

“Eu tenho certeza que houve falta de comunicação!”, afirmou um familiar acreditando que a Transnordestina deveria ter informado que estava ocupando a linha férrea.

“O Gilvan conversou comigo e falou da falta de segurança no trabalho dele”, reforçou a cunhada Alda Brito.

“Há aproximadamente dois meses, ele estava trabalhando quando faltou freios metrô. Ele já tinha passado o rádio avisando sobre o problema. Gilvan fez de tudo para parar o metrô. Nessa ocasião, o outro maquinista saiu para o outro vagão e o Gilvan pulou, e porque ele não pulou desta vez?”, questiona emocionada a esposa da vítima, Ana Célia, ao afirmar que “ele queria a aposentadoria porque não aguentava mais”.

Gilvan será sepultado no Cemitério São Gonçalo, às 17h, onde já estão sepultados o pai, a mãe e outros familiares.

Edição, postagem e fotos: Denison Duarte
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Foto: Ellyo Teixeira/G1

Foto: Ellyo Teixeira/G1

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