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Amarante: ‘Rio Canindé pode ter chegado ao fim’, afirma presidente do Sindicato dos Pescadores

Edição e postagem: Denison Duarte, em 23-07-2014 10:01 | Última modificação: 14-09-2015 00:09
Amarante: ‘Rio Canindé pode ter chegado ao fim’, afirma presidente do Sindicato dos Pescadores

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Com 350 quilômetros de extensão, banhando municípios piauienses como Oeiras, Francisco Ayres, dentre outros, o rio Canindé, em Amarante, apenas sobrevive e já não é mais aquela referência em fonte de renda a pescadores como consta ao longo da sua história.

Há alguns anos, em certos pontos do seu percurso, durante os meses de setembro e outubro, já não há mais vestígios de água. Para as pessoas de meia idade, nesses lugares há apenas as lembranças de um rio que parecia que jamais chegaria ao fim.

Atualmente as únicas fontes de sobrevivência do rio Canindé estão em seus afluentes, que ainda tentam resistir à ação do homem.

Em entrevista ao portal Somos Notícia, o presidente do Sindicato dos Pescadores de Amarante, José de Arimatéia, associa o fim do rio à pouca importância dada a ele pelo homem. “O desrespeito do ser humano, das pessoas que moram nas margens do rio Canindé tem sido a causa principal desse problema. As vazantes são a causa maior da erosão porque os donos fazem a aração e a terra desce para o rio. Está com seis anos que o Canindé teve uma grande cheia. A falta de chuvas tem também contribuído para a situação.”

Outro ponto considerado preocupante segundo ele, é que 99% das margens estão desmatadas. Em relação a esse tipo de ação do homem, o presidente atribui à falta de programas sociais voltados à solução do problema. “Na beira do Canindé você não encontra nenhuma área preservada, pois 99% é desmatada. Não existe nenhum programa social. A gente vê que não há quem busque resolver isso. No rio Parnaíba muito se fala e pouco se faz, em relação ao Canindé as pessoas nem falam.”

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Entristecido, ele aponta que talvez não exista mais uma solução que impeça o desaparecimento do rio Canindé. “A solução talvez não exista mais, é uma causa quase impossível porque 90% dos ribeirinhos vivem da pesca que quase não existe, e das vazantes que não vão acabar tão cedo. Vejo que seria importante o incentivo do Poder Público com kits de irrigação e também a construção de campos para plantios de calumbis e ingaranas. Em algumas chácaras que ficam nas margens do Canindé a gente vê que há os pontos de preservação com esse tipo de plantio.”

Grande parte dos pescadores que ajudaram a constituir a história do rio Canindé tiveram que buscar formas alternativas de sobrevivência e adotaram outras profissões. Os demais precisaram migrar para o outros poucos pontos do rio Canindé ou até mesmo para o rio Parnaíba.

Para Luis Neto Barbosa, 59, conhecido como Luís Viana, o problema maior do rio está no desmatamento. “Não há quem tire da minha cabeça que a erosão do rio é provocada pelo desmatamento em suas margens”. Luís Neto Barbosa é morador da comunidade Saco da Cachoeira há 02, mas conhece o rio Canindé há 49 anos.

Já Manoel José da Silva, 47, considera que a causa dos problemas do rio estão relacionadas à retirada de areia, feita por uma empresa de Teresina. “O que revolta bastante é que a gente mora há 40 anos no Saco da Cachoeira e nunca conseguiu fazer uso de parte dessa areia, e vêm as empresas de Teresina e tiram milhões.”

Por fim, José de Arimatéia, que também foi secretário municipal de Meio Ambiente, aponta o que deveria ser feito para que o rio dure por mais tempo. “O primeiro passo é ter incentivo para esse tipo de plantio nas proximidades do rio. Falta principalmente o incentivo do governo para mostrar às comunidades nas zonas rurais a importância dessa preservação. Precisa também de um conhecimento técnico para apresentar aos moradores dessas comunidades como é importante manter esse cuidado, para isso a gente tinha que ter uma Secretaria de Meio Ambiente que fosse atuante para incentivar as pessoas a respeitar, e a gente sabe que isso não acontece. Se o rio Canindé morrer muitas coisas vão se acabar”, encerra.

Edição e postagem: Denison Duarte
Fotos: Leomar Duarte

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